Nada tem de estranho o fato de as pessoas levarem celulares no ônibus, estranha é a forma como o atendem. Pode prestar atenção. A maioria das pessoas ao atender o celular parece sofrer de algum distúrbio geográfico, sei lá, alguma desorientação, pois dizem que estão em locais onde com certeza, não estão de jeito nenhum.
- Estou chegando em Piraporinha – diz a senhora gorda e séria.
Piraporinha? penso eu. Mas isto aqui é o centro de Diadema, pra Piraporinha ainda falta chão. E diz mais, a senhora:
- Pode me esperar que já estou chegando.
Esse “já estou chegando” me soa como o “Estou indo” de minha filha Michele quando lhe peço para fazer alguma coisa. E quando ela diz “Estou indo” pode esquecer porque ela não vai nem com reza brava.
- Estou na fila do supermercado – me diz uma outra.
Supermercado? E cadê os caixas, as mercadorias, os carrinhos? Será que estou vendo coisas? Pra mim eu estava dentro de um ônibus…
- Ainda estou no Jabaquara – diz o rapaz.
Jabaquara em São Bernardo? Mas é mesmo o ó do borogodó, esse povo do ABC carece de senso de orientação…
- Não, meu bem, hoje não saí de casa – me diz uma, com cara de pilantra.
Essa eu até entendo. Marido ciumento, controlador, deu uma escapada e agora claro que não vai entregar o jogo.
Mas também por quê as pessoas quando ligam em nosso celular logo perguntam:
- Onde você está?
Que curiosidade mórbida é essa? E pra quê precisam saber onde estou pra falar comigo? Ora essa, vai ser curioso assim lá na casa do chapéu!
(zailda)